CNTE entrevista preletora sobre "Os impactos da violência de gênero no mundo do trabalho"

Publicado em Sexta, 28 Outubro 2016 09:09

 JOR0592

Aparecida Gonçalves foi Secretária Nacional de Enfrentamento a Violência contra a Mulher da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Ela colaborou na elaboração e implementaçãoda Lei Maria da Penha e construiu estratégias de consolidação da mesma. Atualmente ela é Diretora Presidente da Xaraés Consultoria e Projetos e realiza debates sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres nos Estados e Municípios brasileiros. Durante o Encontro da Rede de Mulheres, que ocorre em São Paulo, de 26 a 28 de outubro, ela palestrou sobre “Os impactos da violência de gênero no mundo do trabalho”. Após falar para as trabalhadoras da Educação das regiões Cone Sul e Andina, presentes no evento, concedeu uma entrevista à CNTE:

Aparecida GonçalvesVocê possui uma história longa com a luta das feministas brasileiras, acompanhou a estruturação de boa parte das políticas públicas que foram construídas. Quais você pontua como as mais importantes para o empoderamento das mulheres?

Várias políticas foram importantes, entre elas a própria organização do movimento feminista, que foi seguida da criação da Secretaria de Políticas para Mulheres, pelo Presidente Lula, vinculada à Presidência da República, isso nos empoderou efetivamente e nos deu um lugar de destaque no processo. Esses dois fatores, o movimento e o espaço político, permitiram conseguirmos alguns avanços: a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), a Lei do Feminicídio(Lei 13.104/15), a Lei das Empregadas Domésticas(Lei Complementar 150/15) que foi estratégica, as Conferências Nacionais de Políticas para Mulheres (foram realizadas quatro conferências)... Tivemos grandes conquistas nesses anos, nas últimas décadas, que são fruto, na verdade, da luta das mulheres.

Na sua exposição, você mencionou vários impactos na saúde da mulher causados pela violência, inclusive no trabalho. Pela sua experiência, quais as maiores incidências de adoecimento entre as trabalhadoras da Educação?

Acredito que seja o fator estresse, expresso em forma de hipertensão e depressão. E as mais diversas doenças que tem origem emocional. A depressão é cada vez mais comum entre os profissionais da educação, devido às más condições de trabalho, já existem diversos estudos que atestam essa realidade.

Como você pontuou durante a palestra, é muito equivocado relacionar a violência contra a mulher a uma classe social, já que é um problema cultural arraigado nas bases do patriarcado heteronormativo. Você acredita que cada esfera social tem suas peculiaridades e apresenta de uma determinada maneira essa violência?

Esse tipo de violência acontece em todas as classes sociais, não podemos nunca caracterizar como “coisa de pobre”. Mas é verdade que os pobres recorrem mais ao serviço público pois não dispõem de outros recursos enquanto que a classe alta tem seus advogados e não precisa da Defensoria Pública, por exemplo. Mas até a classe alta tem buscado os Juizados, ou ido para a Europa esperar que os hematomas desapareçam. Os números são proporcionais à parcela que cada classe ocupa na pirâmide social: os ricos são 1% da população, assim, é natural que os pobres, que representam 99%, tenham mais casos de violência reportados.

Estamos enfrentando o crescimento de uma onda conservadora que deve afetar amplamente a manutenção e a conquista de direitos para as mulheres. Quais serão os caminhos de resistência?

A resistência será feita nas ruas através de muita mobilização e ativismo, mas a disputa da hegemonia do pensamento da sociedade é fundamental, temos que escrever, colocar no papel as nossas idéias, ocupar os meios de comunicação alternativos, o espaço nas redes sociais, temos que usar a inteligência da esquerda a nosso favor em prol dos movimentos sociais para efetivamente conquistar a hegemonia na sociedade: essa é a disputa que está colocada.

Para além das bandeiras históricas do movimento feminista, oque nos falta como sociedade e quais as políticas públicasprioritárias no cenário atual?

Nós não podemos continuar segmentados, ou seja, a luta feminista ser da feminista, a sindical ser do sindicato, a luta contra o racismo ser dos negros. Nós temos que pensar uma sociedade que incorpore todos esses elementos e toda a diversidade que a constitui e desenvolver políticas públicas para isso.

Confira mais fotos do evento na página oficial da CNTE no Facebook.

 

 
 
 
 
CNE debate os preparativos para a greve geral (17/02/2017)
 
 

Programa 581: CNE espera agregar ainda mais entidades para a greve geral

 
 

FMLN condena golpe de estado contra presidenta Dilma Rousseff no Brasil

 
  10/02/2017
Boletim CNTE 780
As antirreformas de Temer e seus resultados desastrosos
INFORMATIVO CNTE 780  
 
  Acesse nossa galeria de fotos
 
  Disponível na Google Play e App Store
 

 VEJA MAIS NOTÍCIAS
Em assembleia realizada na manhã desta terça-feira (21), em frente à prefeitura, em Porto Velho, os trabalhadores em educação municipais decidiram suspender por 15 dias a greve iniciada ontem, dia 20/02. Após...
Para repudiar e marcar posição contra a decisão monocrática e antidemocrática da presidência do Conselho Estadual de Educação (CEE/AL) no caso da “lista tríplice”, o Sinteal,...
Nesta terça-feira (21), estiveram reunidos no Pleno do Fórum Nacional de Educação (FNE) autoridades políticas, representantes de organizações da educação, de vários segmentos sociais...
Após diversas solicitações de audiência pela entidade, o segundo encontro da APLB Feira com o Governo Municipal, que seria realizado hoje às 17h no Ceaf, foi adiado pelo município no fim da manhã, para o...
Em luta contra a aprovação da reforma da Previdência do governo golpista de Michel Temer que vai trazer grandes prejuízos à classe trabalhadora, o Sinteal realizou, na manhã desta terça-feira (21), um...
Muitas escolas do país não iniciarão o período letivo como o previsto no calendário escolar. Questões que vão dos salários na Educação ao Novo Ensino Médio, passando pela...
Em audiência com o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE), Clóvis Barbosa, na quarta-feira (15), o vice-presidente do Sintese, professor Roberto Silva, apresentou estudo realizado pelo sindicato que mostra o...
Os trabalhadores em educação, reunidos em assembleia geral nesta segunda-feira (20), no Clube do SINTE-PI, decidiram por maioria suspender o movimento grevista, mas permanecer em estado de greve e fortalecer a mobilização da...
O documento “Previdência: reformar para excluir?” foi elaborado nos últimos cinco meses por diversos especialistas em economia, direito, proteção social e mercado de trabalho. Organizado por iniciativa da...
Segue o documento produzido por Adriana Marcolino da subseção do Dieese na CUT nacional, com base na exposição realizada na reunião da FBP-SP, que contém a crítica aos principais argumentos utilizados por...
Milhares de servidores estaduais de todas as categorias se concentraram em frente à prefeitura de Porto Velho na manhã desta segunda-feira (20), no primeiro dia de greve geral no serviço público municipal. Os...
Por todo o Estado, milhares de trabalhadores/as em educação ACTs participaram das chamadas da escolha de vagas. E, a exemplo dos anos anteriores, o descaso se repetiu. Muitas Gereds, principalmente nas maiores cidades, não...
Leia mais 
  Revista Mátria Programa de Formação Funcionários da educação Cadernos de Educação Pesquisas  
   
  Outras publicações 
 
   
   
  Mais eventos 
         
Outras campanhas 
         
         
         
         
 
 
             
INSTITUCIONAL LUTAS TABELA SALARIAL DOCUMENTOS LEGISLAÇÕES COMUNICAÇÃO FALE CONOSCO
             
- A CNTE - A Lei do Piso   - Caderno de Resoluções - Educacional - Notícias  
- Diretoria 2017/2021 - Cartilha do Piso   - Estatuto - Pesquisar - Giro pelos Estados  
- Entidades Filiadas - Propostas Diretrizes   - Moções   - CNTE Notícias  
- Secretarias de Carreira   - Notas Públicas   - CNTE na Mídia  
  - Livreto Diretrizes       - Releases  
  e Carreira          
  - A Lei do PNE          
  - Cartilha do PNE    

CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Endereço: SDS, Edifício Venâncio III, Salas 101/106
CEP: 70393-902 - Brasília-DF
E-mail: cnte@cnte.org.br

Telefone: +55 (61) 3225-1003
Fax: +55 (61) 3225-2685

  - Royalties do Petróleo    
       
       
       
       
       
       
       
       
       
2014© Todos os direitos reservados.