Professores de Sergipe entram em greve por tempo indeterminado

Publicado em Quinta, 16 Março 2017 13:17

Milhares de estudantes da rede pública no Estado de Sergipe ficam sem aula a partir de hoje. O esvaziamento das escolas ocorre diante dos professores sergipanos terem aprovado pela adesão integral ao movimento nacional que luta conta a aprovação da reforma previdenciária e trabalhista. A paralisação geral é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e, aqui em Sergipe, recebeu o apoio oficial do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sintese), e do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema). Estima-se que mais de 300 mil estudantes – entre crianças matriculadas em creches e adolescentes no ensino médio -, estarão sem aula por tempo indeterminado.

Conforme avaliação dos dirigentes sindicais, caso as reformas previdenciária e trabalhista sejam aprovadas pelo Congresso Nacional, o Governo Federal vai acabar com a aposentadoria especial do magistério tanto para os novos concursados como para quem tem menos de 45 anos, no caso de professoras, e menos de 50 anos, no caso de professores. A reforma pode resultar ainda em outros prejuízos como o aumento da idade mínima para aposentadoria, que será de 65 anos para homens e mulheres, além da exigência de 49 anos de contribuição para ambos. Na luta pela reprovação da proposta, docentes de vários municípios sergipanos se reúnem na Praça General Valadão paraintensificar os protestos.

Para o professor Antônio Batista Campos, o ato de hoje será essencial para chamar a atenção de todos os parlamentares locais que possuem cadeira em Brasília. O manifesto será utilizado como forma de pressionar os deputados federais e senadores para que votem contra o pacote de alterações criadas pelo governo do presidente Michel Temer; este mesmo bloco de mudanças tem sido apelidado pelas classes trabalhadoras como um ‘pacote de maldade’ contra o povo brasileiro. Sobre o futuro das ações democráticas, o educador garantiu que as forças sindicais e de defesa do cidadão trabalhador estão se unindo para deflagrar uma greve geral no Brasil, junto com outras categorias, caso a reforma passe pelo legislativo e seja sancionado pelo presidente peemedebista.

“Temos que valorizar nosso direito enquanto trabalhador. Vivemos em um país democrático e isso que o presidente está tentando fazer vai contra aos interesses dos brasileiros. Eu prefiro não apontar como uma ameaça, mas espero que os nossos deputados e senadores estejam bem atentos ao andamento desta reforma lamentável. Caso seja aprovada, aí sim o Brasil vai parar, pode ter certeza”, declarou Antônio Batista. Os sindicatos contam com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Instituto Federal de Sergipe (IFS), bem como de grêmios estudantis, centros acadêmicos e diretórios centrais dos estudantes.

Paralelo às ações de rua, o Sintese informou que irá denunciar junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado a falência do FUNPREV, os atrasos no pagamento das aposentadorias e requererá uma auditoria no Sergipeprevidência. Quanto a Reforma da Previdência, o sindicato destaca que o Estatuto do Magistério prevê a paridade nas questões salariais, ou seja, os reajustes aplicados para a ativa, os aposentados e aposentadas são contemplados; caso a PEC 287 seja sancionada, essa paridade deixará de existir. “Não terá paz aqueles políticos que acham que o povo só presta no período eleitoral. Estamos unindo as classes para combater o mal que se instalou na administração federal”, avisou a professora Marta dos Anjos. A manifestação está agendada para começar logo mais às 15h.

Em seguida, os manifestantes sairão em caminhada pelas principais ruas do Centro comercial de Aracaju em direção à Praça Fausto Cardoso, onde haverá outro ato na frente do prédio da Assembleia Legislativa do Estado (Alese). Na tarde de ontem gestores do Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs), e da Associação dos Docentes da UFS (Adufs), oficializaram paralisação na instituição federal e adesão à marcha.

(Jornal do Dia, 15/03/2017)

 
 
 
 
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