Brasil se acostuma à violência nas salas de aula

Publicado em Quarta, 29 Março 2017 09:33

Mais da metade dos professores do Brasil já presenciou algum tipo de agressão verbal ou física cometida por alunos de 11 a 14 anos contra algum colega e milhares já viram os estudantes levarem armas de fogo para a aula.

Este é o panorama apresentado pela pesquisa Prova Brasil 2015, elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação e aplicada a diretores, alunos e professores de todo o país.

As agressões contra professores aumentaram muito nos últimos tempos , disse à Agência Efe a secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, professora da rede pública no Mato Grosso do Sul.

No total, 132.244 professores, mais da metade dos entrevistados, admitiram que já testemunharam episódios de violência dos estudantes contra os companheiros de profissão, porcentagem que chega a 71% quando perguntados sobre agressões físicas ou verbais entre os próprios alunos.

A questão da violência não é algo específico das escolas. A escola é o reflexo do que acontece na sociedade , argumentou Fátima Silva.

Entre os fatores externos que explicam este comportamento, a professora cita uma crise de autoridade na convivência familiar e, sobretudo, a determinação do contexto social no qual cada colégio está imerso.

De acordo com o estudo, 12% dos professores reconhece que alguns alunos vão à aula sob o efeito de drogas e 2.365 viram estudantes comparecer ao colégio, de maneira frequente, com armas de fogo.

O número é um disparate. Embora a porcentagem seja baixa (1%), nenhum aluno deveria levar armas de fogo para a escola, afirmou o economista Ernesto Martín Faria, pesquisador da Fundação Lemann, que analisou a pesquisa para o portal QEdu, plataforma que detalha os dados oficiais.

A proporção chega a 5% nos casos em que os docentes perceberam que vários de seus alunos comparecem à instituição de ensino com algum tipo de arma branca.

Há escolas com grande vulnerabilidade em várias regiões do país onde operam facções criminosas fortes , mencionou Martín Faria.

O círculo vicioso começa com bairros com grande vulnerabilidade, poucas políticas públicas e altos índices de violência, onde os filhos de famílias de baixos recursos frequentam, no melhor dos casos, escolas precárias que os dão uma formação insuficiente para chegar ao mercado de trabalho em igualdade de condições com outros.

Os números demonstram uma grande desigualdade no país , analisou Martín Faria, que aposta por políticas de incentivo com mais recursos e melhores professores . Segundo a pesquisa, 41% dos professores ganha entre R$ 1 mil e R$ 2 mil brutos ao mês.

As regiões esquecidas no plano educativo são as mesmas que se repetem em outros índices de desenvolvimento: Norte, Nordeste e periferias de grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

As escolas têm muitas dificuldades para fugir, se isolar do contexto de violência no qual vivem , comentou o especialista.

Funcionários do colégio Etelvina de Góes Marcucci, em Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo, admitiram que a violência nas salas de aula é uma questão delicada , mas que além disso, o problema mais urgente nesse caso são as drogas e a facilidade que os alunos têm para ter acesso a elas.

A professora Fátima Silva denuncia que este clima serve como desculpa de alguns setores para ressuscitar o debate sobre a maioridade penal, estabelecida em 18 anos de idade no artigo 288 da Constituição brasileira.

Muitos utilizam isto para tentar remediar o assunto dizendo que o que é preciso fazer é incorporar os adolescentes problemáticos ao sistema penitenciário. Isso é o contrário do que é preciso fazer , considerou.

O paradoxo está em um artigo antes na Constituição, onde se afirma que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação e à educação , entre outros recolhidos nesse fragmento.

(Portal Terra, 28/03/2017)

 
 
  14/07/2017
Boletim CNTE 793
Nosso repúdio à antirreforma trabalhista aprovada esta semana
INFORMATIVO CNTE 793  
 
 
Presidente da CNTE questiona alterações no FNE durante audiência (06/07/2017)
 
 

Programa 591: CNTE se une a representações sindicais em ato contra a reforma trabalhista

 
 

Manifesto em defesa da Educação Pública e de seus trabalhadores

 
  Acesse a agenda de mobilizações da CNTE
 
  Acesse nossa galeria de fotos
 
  Disponível na Google Play e App Store
 

 VEJA MAIS NOTÍCIAS
Representantes do Comitê e Escritório Regionais da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL) realizaram reunião, na segunda quinzena de julho, com dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da...
O Sinteal conquistou mais uma vitória na luta por valorização profissional na educação pública. Em reunião realizada nesta quarta-feira (19/7), entre a direção do Sinteal, o prefeito de...
  A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa de mais de 4 milhões de trabalhadores das escolas públicas brasileiras, torna público o seu pesar pelo...
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 4 milhões de trabalhadores das escolas públicas brasileiras, vem a público REPUDIAR o ataque perpetrado contra a...
O Governo do Estado da Paraíba lançou um edital, por meio da Secretaria de Educação, para realização de processo seletivo objetivando a terceirização dos serviços nas escolas da rede...
A Frente Brasil Popular, integrada pela CUT, promove nesta quinta-feira (20), às 17h30, o ato “Não às reformas, Diretas Já e em solidariedade a Lula”, na Esquina Democrática, o tradicional palco de...
O Sinte-PI participou na manhã desta quinta-feira, 20 de julho, de mais um Dia Nacional de Luta contra os desmandos do governo ilegítimo de Michel Temer. Os movimentos unificados realizaram panfletagem na Praça Rio Branco,...
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entidade representativa de mais de 4 milhões de trabalhadores das escolas públicas brasileiras, vem a público REPUDIAR a atitude da maioria dos...
Cerca 200 trabalhadores Municipais da educação de Lauro de Freitas (região Metropolitana de Salvador) ocuparam nesta quarta-feira (19/7), a Secretaria Municipal da Educação (SEMED), para apresentar ao...
Cerca de 20 organizações ligadas ao Ensino e à sociedade civil no país se retiraram do Fórum Nacional de Educação (FNE) e, agora, preparam uma agenda de debates e mobilizações para dar...
Os trabalhadores em Educação do município de Salvador realizaram mais uma manifestação vitoriosa na manhã desta quarta-feira, 19, em frente à Secretaria Municipal da Educação (SMED). O ato,...
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Marcus Libório, afirmou que vai cobrar do Governo do Estado as progressões dos servidores da Secretaria de Estado da Educação...
Leia mais 
  Revista Mátria Programa de Formação Funcionários da educação Cadernos de Educação Pesquisas  
   
  Outras publicações 
 
   
   
  Mais eventos 
         
Outras campanhas 
         
         
         
         
 
 
             
INSTITUCIONAL LUTAS TABELA SALARIAL DOCUMENTOS LEGISLAÇÕES COMUNICAÇÃO FALE CONOSCO
             
- A CNTE - A Lei do Piso   - Caderno de Resoluções - Educacional - Notícias  
- Diretoria 2017/2021 - Cartilha do Piso   - Estatuto - Pesquisar - Giro pelos Estados  
- Entidades Filiadas - Propostas Diretrizes   - Moções   - CNTE Notícias  
- Secretarias de Carreira   - Notas Públicas   - Educação na Mídia  
  - Livreto Diretrizes       - Releases  
  e Carreira          
  - A Lei do PNE          
  - Cartilha do PNE    

CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Endereço: SDS, Edifício Venâncio III, Salas 101/106
CEP: 70393-902 - Brasília-DF
E-mail: cnte@cnte.org.br

Telefone: +55 (61) 3225-1003
Fax: +55 (61) 3225-2685

  - Royalties do Petróleo    
       
       
       
       
       
       
       
       
       
2014© Todos os direitos reservados.