Trabalhadores da Educação mobilizam o país contra reformas

Publicado em Quinta, 30 Março 2017 09:12

No dia 15 de março os professores em todo o país deram uma demonstração de força ao aderirem aos protestos contra a reforma da Previdência. O movimento da educação prossegue mobilizado com greves, assembleias permanentes, passeatas, buzinaços e aulas públicas. A iminência de aprovação do projeto de terceirização ilimitada também preocupa a categoria, que denuncia o estado de precarização das condições de trabalho na educação pelo país.

Nesta terça-feira (28) os professores do estado de São Paulo entraram em greve. Em nota, a presidenta do Sindicato Oficial dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, denunciou a jogada de Michel Temer ao anunciar a retirada dos servidores estaduais e municipais da reforma da Previdência.

“Nesta terça-feira todos os jornais publicaram a notícia de que o presidente ilegítimo Michel Temer afirmou que, se estados e municípios não fizerem a reforma em seus âmbitos de competência, prevalecerão as regras que forem aprovadas em nível federal”, esclareceu.

De acordo com Maria Izabel “devemos estar conscientes da gravidade do momento. É preciso lutar para preservarmos nosso direito à aposentadoria e, também, para recuperarmos parte do poder de compra de nossos salários, para que possamos buscar a valorização da nossa profissão e a melhoria da escola pública estadual”.

Em Belo Horizonte (MG), os professores aprovaram nesta terça-feira a continuidade da greve. A assembleia reuniu 10 mil trabalhadores. Segundo a coordenadora -geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, a decisão “é um claro recado de que a classe trabalhadora não aceita nenhum direito a menos”.

“Vamos continuar mobilizando a base e nos organizando com os demais sindicatos, e Centrais sindicais, para construir a greve geral”, disse a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Consuelo Correia. Para ela, o golpe de 2016 é responsável pela destruição da economia e agrava a recessão e o desemprego.

“A liberação total da terceirização recentemente aprovada pode destruir os concursos públicos e os direitos duramente conquistados como o Piso Nacional, Planos de Carreira e, inclusive as exigências de qualificação profissional para professores e funcionários de escola. O desmonte da Previdência Social é um crime contra todas as categorias de trabalhadores e a Reforma Trabalhista em andamento, um retrocesso de mais de um século. Se não reagirmos agora, o Congresso Nacional revogará a lei áurea”, completou Consuelo.

“Só a unidade e a luta vai fazer recuar esse projeto nefasto não só para a educação mas para toda a classe trabalhadora”, declarou Marilene Betros, dirigente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Na sexta-feira (24) educadores das redes municipal e estadual protestaram em frente à casa do relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA).

Nesta semana, educadores de Feira de Santana (BA) suspenderam a ocupação do prédio onde funciona a secretaria da Fazenda no município após a secretaria da educação concordar em dialogar sobre as reivindicações da categoria. Trabalhadores do Estado e do Município mantém estado de mobilização por pautas próprias e contra as reformas de Temer.

Em Porto Alegre, educadores aposentados discutiram o cenário de retirada de direitos em encontro estadual nesta terça-feira. “Hoje, temos aqui, a história mais bonita, mais combativa e forte que essa entidade já teve”, afirmou Na abertura do evento, a presidente do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers), Helenir Aguiar Schürer.

De acordo com ela, os aposentados são a história do Sindicato e exemplo de luta para as novas gerações. “Na época da ditadura, acreditamos na liberdade e conseguimos vencer. Hoje, vivemos novamente um momento perigoso, onde o movimento dos trabalhadores é tratado como caso de polícia. Por isso, estamos de novo nas ruas para impedir o retrocesso em nossos direitos. É pela história de cada um e de cada uma que vamos derrotar a reforma da Previdência, a terceirização, o pacote do Sartori e os ataques que virão”, afirmou.

Segundo a Coordenação da Greve Geral Nacional da Educação, composta por membros da Diretoria Executiva e dos sindicatos filiados à Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), a greve tem atingido “o objetivo definido no 33º Congresso Nacional da CNTE, sobretudo no sentido de denunciar as mazelas das reformas da Previdência e Trabalhista e de intervir no processo legislativo através da aglutinação de forças com outras categorias de trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada, além de setores que integram as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo”.

A CNTE avalia ainda que no dia 15 de março 98% dos sindicatos filiados à entidade participaram da mobilização. O movimento dos trabalhadores da educação prossegue com diversas formas de organização, incluindo greves por tempo determinado e indeterminado. As ações da CNTE fazem parte do calendário nacional de lutas em mobilização para a greve de 28 de abril convocada pelas centrais de trabalhadores contra as reformas de Michel Temer.

Na luta em defesa dos direitos a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) divulgou os nomes dos parlamentares que votaram a favor da terceirização total. Nesta semana, a entidade divulgou campanha denunciando a terceirização: “Terceirização na educação é sinônimo de desconstrução e de destruição!”.

(Portal Vermelho, 29/03/2017)

 
 
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