Apeoesp, centrais e movimentos reafirmam aliança nas ruas contra ataques aos direitos

Publicado em Segunda, 10 Julho 2017 11:33

São Paulo – Representantes de centrais sindicais, movimentos sociais, estudantes e parlamentares reafirmaram pacto de resistência nas ruas contra ataques aos direitos dos trabalhadores e por eleições diretas. A aliança, que tem levado milhares de pessoas às ruas em manifestações chamadas pela Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo e centrais contra a reforma trabalhista e da Previdência, foi fortalecida na noite desta sexta-feira (7), na capital paulista, em ato político durante a posse da nova diretoria do Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). A presidenta Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel, foi reeleita.

Destacando a presença dos professores nas ruas contra o avanço das propostas do governo de Michel Temer (PMDB), o presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que não existe luta em São Paulo sem o sindicato. "Se tem alguém que tira o sono do governo tucano de Geraldo Alckmin é a Apeoesp. Esses governos, aliás, são obcecados pela Apeoesp e CUT. Tudo para eles é CUT e Apeoesp. É assim porque ousamos enfrentá-los", disse.

Vagner afirmou que a Globo elege e 'deselege' presidentes no Brasil. "E se colocar Rodrigo Maia (DEM-RJ), o recado será fora, Maia. Nós não aceitaremos nenhuma solução indireta."

Outros integrantes da mesa, como o presidente da CUT paulista, Douglas Izzo, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, e o vice-presidente mundial pela América Latina da Internacional da Educação (IE), Roberto Leão enalteceram a luta dos professores paulistas. Principalmente contra o sucateamento do estado ao longo de mais de duas décadas de arrocho dos governos tucanos – só Geraldo Alckmin está em seu terceiro mandato –, e emocionaram o auditório lotado por professores e seus familiares, que vieram de diversas partes do estado.

A presidenta da União Estadual dos Estudantes (UEE), Nayara Souza, aluna da Fatec de São José do Rio Preto, observou as dificuldades do ensino público ao longo de mais de duas décadas de gestão tucana. "A luta pela educação no estado de São Paulo é muito árdua, há muitos anos."

A nova presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, destacou a emoção que sente todas as vezes que vê os professores ocupando a Avenida Paulista em suas assembleias. "Nós enfrentamos os banqueiros. Com dificuldade, até conseguimos parte de nossa pauta. Mas vocês, não, vocês lutam há mais de 20 anos contra um governo que não valoriza a educação", disse Ivone, que também foi oficialmente empossada na diretoria da entidade nesta sexta-feira. A festa acontece neste sábado.

O dirigente nacional do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, para quem os professores já tiraram a "ignorância das letras" e que têm agora a responsabilidade de ajudar o povo brasileiro a "superar a ignorância política para a ampliação da democracia no país", afirmou que a categoria não está só. "Vocês podem levantar a cabeça porque todos esses movimentos aqui estão com vocês. Até mesmo para quando tivermos de ocupar o palácio".

O ex-ministro da Saúde do governo de Dilma Rousseff, Alexandre Padilha, destacou a importância dos educadores. "Não existe profissão mais importante que a de professor. Sem ele, é impossível ser qualquer outra coisa. Sou médico, mas não conseguiria ser sem o professor em minha formação".

Estiveram presentes ainda representantes da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), CTB, Centro do Professorado Paulista, vereadores e deputados estaduais e federais do Partido dos Trabalhadores e candidatos da oposição que disputaram a presidência da Apeoesp.

Em sua fala parcialmente dedicada a homenagear seu antecessor, Carlos Ramiro de Castro, o Carlão, morto em 2013, além de outros dirigentes, Bebel se dirigiu diretamente à oposição dentro da Apeoesp e pediu unidade aos que a apoiaram e também aos que não a apoiaram. "O sindicato não pode ser como escola sem partido. As pessoas têm suas posições", disse.

"Passada a eleição, deixemos de lado nossas diferenças e vamos somar o que nos une. Com Temer ou sem Temer, os golpistas vão querer aprovar as reformas, verdadeiros ataques aos direitos trabalhistas, que nos levarão para antes da década de 1930. Os empregos serão transformados em bico, como os tucanos têm feito com os professores em São Paulo ao longo de mais de 20 anos. Parece até que eles sentam e ficam pensando em como ferrar com os professores".

Em uma breve retrospectiva das perdas trazidas em pouco mais de um ano da deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT), Bebel destacou a Emenda Constitucional (EC) 95/2016, do congelamento dos investimentos da União nas áreas sociais, a perda dos 75% sobre os royalties do petróleo para a educação, a desvalorização do salário mínimo, o fim do pleno emprego, da participação democrática nos diversos fóruns temáticos e o avanço da privatização em diversos setores. "Por isso deixo aqui o meu compromisso de ocuparmos as ruas", disse.

(Rede Brasil Atual, 08/07/2017)

 
 
  23/03/2018
Boletim CNTE 813
Debate sobre a privatização da educação repercute para dentro e fora do Brasil
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Programa 601: CNTE lança campanha para o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia

 
 

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