CNE debate a conjuntura pós-eleitoral

Publicado em Quinta, 08 Novembro 2018 22:20

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Iniciou-se hoje (08) a reunião do Conselho Nacional de Entidades (CNE), em Curitiba (PR). O evento acontece no auditório da APP, sindicato que representa os trabalhadores e trabalhadoras da educação pública do estado do Paraná, e segue até o fim da sexta-feira (09).


O presidente da CNTE, Heleno Araújo, a vice-presidente, Marlei Carvalho, a secretária geral da entidade, Fátima Silva, e o presidente do sindicato anfitrião, Hermes Leão, abriram a atividade saudando aos mais de 150 conselheiros e conselheiras participantes e, logo em seguida, como não poderia ser diferente, no atual cenário político que o país vivencia, o CNE começou com um painel de Análise de Conjuntura. Foram debatedores Combertty Rodriguez, Coordenador do Escritório Regional para América Latina da Internacional da Educação (IEAL) em San José na Costa Rica, doutor José Lopes, da Executiva Estadual do PCdoB/PR, e o professor Luiz Dulci, vice-presidente do Diretório Nacional do PT e diretor do Instituto Lula.

Combertty Rodriguez tratou sobre a conjuntura internacional e abordou a questão da dinâmica totalmente conservadora que tem avançado por todo o continente na últimadécada. Ele citou pontualmente os processos eleitorais do Paraguai, Chile, Colômbia e, finalmente, do Brasil que deixaram evidente esse panorama de recomposição do controle norte-americano sobre as nações latino americanas, que teve seu marco desde 2005 como uma reação dos Estados Unidos à derrota da ALCA naquele ano. Assim, conduziu a uma reflexão sobre a disputa do modelo de educação pública como bem social contra o modelo empresarial. “Os setores privados querem recursos públicos para garantir seu lucro, as chamadas ‘Parcerias Público-Privadas’ são a forma de institucionalizar essa lógica do mercado com ares de legalidade. Nós lutamos contra o modelo de educação homogeneizada almejado pela direita e defendemos a educação emancipadora.”, concluiu Combertty.

Durante sua análise sobre a conjuntura nacional, José Lopes, alertou para a necessidade urgente de construção da unidade entre todos os setores progressistas da esquerda, como único caminho para superação das dificuldades políticas e sociais que afligem o país. “Temos que estar abertos para construir a unidade respeitando as diferenças. É esse o caminho para vencer o fascismo.”, sinalizou.

“Dentre todas as situações a serem superadas pela classe trabalhadora, talvez a mais desafiante seja romper com o estado de exceção instalado no Brasil desde o golpe. Isso passa necessariamente pela defesa intransigente da democracia e pela luta por Lula livre”. Com essas palavras Luiz Dulci iniciou sua fala. Ele lembrou que o recente resultado das eleições foi fruto não apenas das disputas internas, mas refletiu uma influência direta dos interesses do capital externo com a interferência norte-americana evidenciada pela campanha mentirosa feita através de mensagens de texto a partir do exterior. Ele caracterizou que o resultado do candidato do PSL, com uma votação tão expressiva, foi uma grande derrota para os setores progressistas e, em que pese ter passado por mentiras, manipulação dos meios e de algumas igrejas neopentecostais, houve uma grande parcela da população que aderiu, de fato, ao projeto nefasto que venceu o pleito. “Uma das hipóteses para isso é que apenas os avanços materiais e de direitos para as classes populares não tenham sido suficientes para a elevação do nível de consciência naturalmente. Chegou o tempo do diálogo com foco na disputa das idéias”, provocou Dulci e encerrou sua contribuição ao CNE parafraseando Paulo Freire: “Não temos todas as respostas, ainda não nos fizemos sequer todas as perguntas”, disse.

O painel da tarde também foi dedicado ao tema conjuntural. Para continuar o debate sobre o cenário pós-eleitoral no Brasil, o assessor do DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, Antônio Carlos de Queiroz, expôs o perfil que traçou para os eleitores que fizeram oposição ao projeto encabeçado pelo PT, que classificou como o “centro que se deslocou para a extrema direita”. Em sua análise ele frisou que nem todos são fascistas, e que boa parte externa uma intolerância social aos desvios de conduta que culminou no surgimento de três grandes blocos de eleitores: PSL, petistas e o terceiro que chamou de “desalentados” (cidadãos que querem estar afastados da cena política, abrindo mão, inclusive, do direito ao voto). Segundo ele o resultado da eleição também deixou claro que esses três blocos tem o diálogo interditado entre si, o que deu lugar a que um “não-projeto” saísse vencedor. Para Queiroz, a reforma da previdência, o fim da estabilidade para o setor público e a criminalização dos movimentos sociais e sindicais serão as políticas que o governo eleito irá priorizar ainda no início da sua gestão. A alternativa apontada como a mais factível para fazer frente a esse crescimento do autoritarismo é o retorno às bases para ganhar adesão popular contra a implementação de tais políticas.

No dia de amanhã o CNE continua e debaterá as campanhas que a CNTE deverá liderar, contra os cortes sociais (EC 95/2016), em defesa da Reforma Tributária Solidária e pelo FUNDEB permanente. O Conselho também irá deliberar sobre o planejamento para 2019 e novas filiações à CNTE, além de receber outros informes.

Texto e foto: Jordana Mercado

 
 
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