Facebook expõe assédio sexual praticado por professores

Publicado em Quinta, 18 Fevereiro 2016 11:10

Em pouco mais de uma semana, alunas de escolas e universidades de todo o país enviaram para uma página do Facebook mais de 750 relatos de agressão moral e sexual que sofreram de seus professores. Dos depoimentos recebidos, mais de 500 foram publicados, ultrapassando 16 mil “curtidas” na rede social em apenas sete dias.

A página Meu Professor Abusador foi criada no dia 9 de fevereiro por quatro jovens mulheres de Porto Alegre, que concluíram recentemente o Ensino Médio, depois que uma delas descobriu um caso de assédio na escola que frequentou.

Os relatos publicados em Meu Professor Abusador precisam seguir algumas regras. O nome do agressor não pode ser revelado, mas algumas características que o tornem identificável são autorizadas. O nome da instituição de ensino em que o fato aconteceu também é permitido. A autora tem o anonimato garantido pelas moderadoras.

Uma das criadoras da página concordou em dar entrevista pelo bate-papo da rede social. Ela pediu, no entanto, que sua identidade não fosse revelada por questões de segurança.

“Esse projeto mexe com homens que detêm muito mais poder social e monetário do que nós”, explicou a moderadora escolhida para a entrevista. Ela revelou que o grupo buscou auxílio jurídico com advogadas para se proteger de possíveis ameaças e processos.

Mesmo assim, a entrevistada garantiu que a página está aberta a críticas construtivas. “Estamos acostumadas, por militarmos no movimento feminista. Há, também, os discursos de ódio, que ignoramos”.

Uma das críticas mais frequentes diz respeito à dificuldade de comprovar a veracidade dos relatos anônimos. “Sempre respondemos que sim, alguns poderiam [ser falsos]. Mesmo assim, temos como segurança as mais de 16 mil “curtidas” que comprovam que casos de abuso em sala de aula não são exceções, mas uma realidade”.

Algumas vezes, os depoimentos enviados para Meu Professor Abusador são, também, pedidos de socorro de vítimas atuais de assédio. Nesses casos, as moderadoras costumam ajudar a autora a denunciar o agressor.

“Há um caso em particular, mais grave, em que estamos colocando a vítima em contato com uma advogada”, revelou a entrevistada. Ela conta que chorou algumas vezes ao ler os textos enviados para a página, especialmente quando foi possível conversar com a autora através do bate-papo do Facebook.

“Essa oportunidade de abrir portas para que vítimas de abuso se libertem do medo que as aprisiona é incrivelmente engrandecedora e emocionante”, disse a militante.

O crescimento rápido de Meu Professor Abusador na rede social superou as expectativas das jovens, que agora planejam produzir um guia para incentivar e facilitar o processo de denúncias formais.

“Todos os depoimentos estão sendo arquivados, e a possibilidade de autorizar o acesso a esse banco de dados para acadêmicos e pesquisadores simpáticos à causa não está descartada, adiantou a moderadora.

Com pouco mais de uma semana de dedicação ao projeto, é difícil para as criadoras da página vislumbrarem o futuro desse espaço virtual. Por enquanto, elas preferem comemorar os resultados dos primeiros passos dessa caminhada.

“Colocamos as cartas na mesa, sabemos que professores abusam, e queremos fazer parte da construção de um futuro em que isso não aconteça mais. Agora, esse assunto não pode mais ser ignorado”, disse a entrevistada.

Bons e maus profissionais

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, disse que a entidade condena todo e qualquer tipo de abuso cometido contra os alunos, mas lembrou que em todas as profissões existem bons e maus profissionais. "No magistério, isso não é exceção. Posso lhe afirmar que a imensa maioria dos professores são pessoas dedicadas ao serviço e que se esforçam diuturnamente para oferecer uma educação de qualidade", afirmou.

Para que casos de abusos sejam evitados em sala de aula, Leão reforça a importância de professores e trabalhadores em educação estarem sempre atentos ao tipo de relação que desenvolvem com os alunos. "Tomar cuidado com o que fala, com as palavras que dizem, com a maneira como conversam com os alunos. Por mais que a distância entre o professor e o aluno esteja encurtada, é sempre necessário que se tenha cuidado ao se relacionar com os alunos. Respeito é sempre fundamental", alertou.

(Correio Braziliense, 17/02/2016)

 
 
 
 
CNE debate os preparativos para a greve geral (17/02/2017)
 
 

Programa 581: CNE espera agregar ainda mais entidades para a greve geral

 
 

FMLN condena golpe de estado contra presidenta Dilma Rousseff no Brasil

 
  10/02/2017
Boletim CNTE 780
As antirreformas de Temer e seus resultados desastrosos
INFORMATIVO CNTE 780  
 
  Acesse nossa galeria de fotos
 
  Disponível na Google Play e App Store
 

 VEJA MAIS NOTÍCIAS
Em assembleia realizada na manhã desta terça-feira (21), em frente à prefeitura, em Porto Velho, os trabalhadores em educação municipais decidiram suspender por 15 dias a greve iniciada ontem, dia 20/02. Após...
Para repudiar e marcar posição contra a decisão monocrática e antidemocrática da presidência do Conselho Estadual de Educação (CEE/AL) no caso da “lista tríplice”, o Sinteal,...
Nesta terça-feira (21), estiveram reunidos no Pleno do Fórum Nacional de Educação (FNE) autoridades políticas, representantes de organizações da educação, de vários segmentos sociais...
Após diversas solicitações de audiência pela entidade, o segundo encontro da APLB Feira com o Governo Municipal, que seria realizado hoje às 17h no Ceaf, foi adiado pelo município no fim da manhã, para o...
Em luta contra a aprovação da reforma da Previdência do governo golpista de Michel Temer que vai trazer grandes prejuízos à classe trabalhadora, o Sinteal realizou, na manhã desta terça-feira (21), um...
Muitas escolas do país não iniciarão o período letivo como o previsto no calendário escolar. Questões que vão dos salários na Educação ao Novo Ensino Médio, passando pela...
Em audiência com o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE), Clóvis Barbosa, na quarta-feira (15), o vice-presidente do Sintese, professor Roberto Silva, apresentou estudo realizado pelo sindicato que mostra o...
Os trabalhadores em educação, reunidos em assembleia geral nesta segunda-feira (20), no Clube do SINTE-PI, decidiram por maioria suspender o movimento grevista, mas permanecer em estado de greve e fortalecer a mobilização da...
O documento “Previdência: reformar para excluir?” foi elaborado nos últimos cinco meses por diversos especialistas em economia, direito, proteção social e mercado de trabalho. Organizado por iniciativa da...
Segue o documento produzido por Adriana Marcolino da subseção do Dieese na CUT nacional, com base na exposição realizada na reunião da FBP-SP, que contém a crítica aos principais argumentos utilizados por...
Milhares de servidores estaduais de todas as categorias se concentraram em frente à prefeitura de Porto Velho na manhã desta segunda-feira (20), no primeiro dia de greve geral no serviço público municipal. Os...
Por todo o Estado, milhares de trabalhadores/as em educação ACTs participaram das chamadas da escolha de vagas. E, a exemplo dos anos anteriores, o descaso se repetiu. Muitas Gereds, principalmente nas maiores cidades, não...
Leia mais 
  Revista Mátria Programa de Formação Funcionários da educação Cadernos de Educação Pesquisas  
   
  Outras publicações 
 
   
   
  Mais eventos 
         
Outras campanhas 
         
         
         
         
 
 
             
INSTITUCIONAL LUTAS TABELA SALARIAL DOCUMENTOS LEGISLAÇÕES COMUNICAÇÃO FALE CONOSCO
             
- A CNTE - A Lei do Piso   - Caderno de Resoluções - Educacional - Notícias  
- Diretoria 2017/2021 - Cartilha do Piso   - Estatuto - Pesquisar - Giro pelos Estados  
- Entidades Filiadas - Propostas Diretrizes   - Moções   - CNTE Notícias  
- Secretarias de Carreira   - Notas Públicas   - CNTE na Mídia  
  - Livreto Diretrizes       - Releases  
  e Carreira          
  - A Lei do PNE          
  - Cartilha do PNE    

CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Endereço: SDS, Edifício Venâncio III, Salas 101/106
CEP: 70393-902 - Brasília-DF
E-mail: cnte@cnte.org.br

Telefone: +55 (61) 3225-1003
Fax: +55 (61) 3225-2685

  - Royalties do Petróleo    
       
       
       
       
       
       
       
       
       
2014© Todos os direitos reservados.