BA: Sobre educação, universidades e carroças - o que representa a Univerão em Lauro de Freitas

Publicado em Sexta, 12 Janeiro 2018 15:43

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Diante de resultados de inúmeras pesquisas sobre a educação brasileira, desde as inquietantes reflexões de Anísio Teixeira e Paulo Freire às últimas pesquisas da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, podemos afirmar que a educação básica brasileira pode ser comparada a uma velha carroça transitando numa grande avenida. Quando criada, funcionava e fazia algum sentido, nos dias de hoje, com os avanços da modernidade (ou pós-modernidade), comporta-se como um objeto lento, atrasado, conduzida por quem sequer consegue enxergar o que está a sua frente.

Em Lauro de Freitas (REGIÃO Metropolitana de Salvador), a realidade não é diferente, a degradante situação que se encontra o ensino infantil e o fundamental são extremamente preocupantes. Mais de 80% das crianças (laurofreitenses-ipitanguenses) estudam em prédios que sequer deviam ser chamados de escolas (sem bibliotecas, computadores, quadras de esportes, sala de professores ou laboratórios, instalações precárias que oferecem risco de incêndio). Além da péssima estrutura física, ainda há a falta de materiais básicos como carteiras, mesas, ventiladores, computadores, telefones, materiais de limpeza, sem falar na merenda de qualidade duvidosa. Vergonhosamente, não há nenhum projeto de educação no Município que aponte para alguma solução ou para melhorias. Nada que se faça vislumbrar a tão prometida ‘Cidade Educadora.’

No início de 2017, a atual gestão anunciou o projeto “Cidade Educadora” com o qual demonstrou que toda a cidade seria o ambiente para construirmos enfim, uma educação de qualidade no município. O projeto envolveria parceiros de outros níveis de educação, como universidades públicas, Institutos Federais, outras secretarias municipais e a sociedade civil organizada.

Para decepção dos trabalhadores em educação e da comunidade escolar, durante o ano de 2017 a educação no município passou por uma de suas piores fases, total falta de estrutura, falta de apoio pedagógico e nem sinal da “Cidade Educadora”. Todos os esforços da SEMED foram canalizados para outro objetivo: a construção de uma Universidade: a Universidade de Verão.

Talvez, achando pouca a precarização e a desestruturação de nossa educação básica a gestão da prefeita Moema Gramacho decidiu drenar recursos já precários para um projeto de universidade. Enquanto, em todo o país, discute-se como ampliar os recursos do ensino básico, em Lauro de Freitas, os recursos que deveriam ser destinados ao ensino básico que é a responsabilidade do município, são usados para criar uma Universidade de Férias.

É de impressionar a estrutura organizada em torno da Univerão: a participação das outras secretarias; o projeto pedagógico condizente com a atualidade, interdisciplinar e contextualizado; o diálogo direto com a comunidade; a parceria com outros centros de saber e, especialmente, os recursos destinados. A qualidade técnica e administrativa da Univerão demonstra que a prefeitura sabe fazer, mas quando se trata de educação básica, não quer; tem dinheiro para investir, mas escolhe precarizar; tem poder de articulação com as outras secretarias para tratar da educação, mas tem outras prioridades (o único momento que durante o ano essa gestão se articulou com outras secretarias para discutir a educação real da cidade, a que acontece nas escolas para nossas crianças foi com a secretaria da Fazenda para dizer que não tinha dinheiro).

Olhar para os problemas da educação laurofreitense/ipitanguense e ter como solução a Univerão é como olhar para uma carroça que transita entre velozes carros numa avenida e ter como solução pintar a carroça e instalar um moderno equipamento de som.

A verdade é que não precisamos de projetos que atendam demandas da educação do município em apenas 7 dias. Precisamos de projetos que solucionem ou, ao menos que amenizem as precariedades a que estão submetidos os profissionais da educação e especialmente os filhos da classe trabalhadora, que estudam na escola real e não na Universidade de shows e fantasias.

(ASPROLF, 12/01/2018)

 
 
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