2021 01 21 giro sintepmt

A vida da professora de Antonia Luiza da Costa Leite, de Cuiabá, deu uma guinada inesperada nos últimos três anos. Militante nas lutas trabalhistas dos profissionais da educação pública, há 24 anos, foi surpreendida com o retrocesso de diretos promovido na gestão Mauro Mendes. O achatamento salarial, pelo descumprimento de leis da carreira e recomposição da inflação (Revisão Geral Anual), levou a educadora a buscar sobrevivência como motorista de aplicativo.

Segundo Antonia, o impacto do “desgoverno” formou uma teia de ataques que se estende não apenas ao calote dos direitos, mas se instalou na organização pedagógica das escolas. Por meio de decretos e medidas autoritárias tem se reformulado o processo de atribuição de aulas e organização das escolas.

Nos últimos cinco anos, problemas familiares exigiram que ela se dividisse entre Cuiabá, onde reside, e Acorizal, terra Natal, para cuidar da mãe doente. A inviabilidade de estender a carga horária na sala de aula e cobrir as perdas oriundas do achatamento salarial, a conduziram para atuar como motorista de aplicativo, fazendo a translado intermunicipal.

O desrespeito aos direitos conquistados é motivo de indignação do também professor Cristiano de Oliveira Azevedo. Coordenador pedagógico da Escola Estadual Vitória Furlani da Riva, em Alta Floresta, destaca o desespero ao ver “mês a mês, compra a compra no mercado”, a redução da qualidade e quantidade dos produtos consumidos.

“Em 2013 quando tivemos bravamente a conquista da Lei Complementar Estadual nº 510/2013, conseguíamos olhar o futuro e afirmar que tínhamos um plano de valorização salarial, que tal lei garantiria a nossa permanência na profissão de professor. Tínhamos a segurança da recomposição salarial, quando os gêneros alimentícios tinham seus preços aumentados no mercado, sabíamos que teríamos condição de tê-los porque o percentual fixado na lei e no RGA iria recompor a inflação”, relata.

Desiludido com o rumo das medidas do governo estadual afirma: “não possuímos mais a certeza de continuidade na carreira, tampouco planejamos a longo prazo”. Para ele, a mudança da política de governo só se dará pela categoria dos trabalhadores da educação. A mobilização “poderá reverter tal cenário”, acredita.

Educadora em Primavera do Leste, a professora mestre Gizele Leão, reafirma que a falta de aumento real, efetivado pelo descumprimento do governo da lei nº 510/2013, do não pagamento da Revisão Geral Anual, e fortalecido com o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14%, que reduziu ainda mais os salários. O impacto afetou a todos, ativos e principalmente aposentados. “Os profissionais da educação vivem um “retrocesso e desvalorização humana por parte daqueles que deveriam zelar pelo bem comum das pessoas”, afirma a professora.

O presidente do Sintep/MT, Valdeir Pereira, reafirma que desde o final da greve de 2019 está acordado que a prioridade na luta sindical seria assegurar o cumprimento da Lei 510/2013. “Esse é o principal foco da Campanha Salarial em 2021, não aceitaremos mais adiamentos ou desmonte”, conclui.

(Sintep-MT, 21/01/2021)