INTERNACIONAL DA EDUCAÇÃO

 

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Bruxelas 30 de junho de 2020

Caro Senhor Presidente Malpass e Diretores Executivos,

A Internacional da Educação (IE), a voz de mais de 32 milhões de educadores em todo o mundo, manifesta a sua indignação perante a nomeação de Abraham Weintraub para compor o Conselho de Administração do Banco Mundial. Juntamente com os nossos membros, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o PROIFES-Federação, a Internacional da Educação apela para que sejam tomadas medidas imediatas para corrigir a nomeação inaceitável do senhor Weintraub.

O Senhor Weintraub, ex-ministro da Educação do Brasil, encontra-se atualmente sob investigação por divulgação de notícias falsas, bem como por racismo, tendo feito observações depreciativas sobre os povos chineses e indígenas. Enquanto Ministro da Educação, o Senhor Weintraub fez múltiplos comentários associados à xenofobia, ao racismo e ao discurso de ódio. Ele aprovou também um projeto de lei que anula a política de cotas para os povos negros e indígenas em cursos de pós-graduação das universidades públicas. O ministro enfrenta cerca de 20 processos judiciais no Supremo Tribunal Federal.

As ações e atitude do Senhor Weintraub estão em contraste direto com a missão e valores do Banco Mundial. O Banco Mundial é uma organização que afirma defender o respeito e a igualdade e procura para apoiar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através do multilateralismo. O Senhor Weintraub não tem a ética nem a integridade profissional para atuar como Diretor Executivo do Banco Mundial, e a Internacional da Educação discorda fortemente da sua nomeação.

O Banco Mundial tem agora a oportunidade de mostrar ao mundo que não tolerará o racismo ou o discurso de ódio, sob qualquer forma. A Internacional da Educação exorta o Banco Mundial a aproveitar esta oportunidade para ouvir aos apelos do movimento sindical e da sociedade civil no Brasil e no mundo, e à reparação imediata desta escolha de nomeação pouco ética. Se o Banco acredita verdadeiramente nos direitos humanos, raciais e na justiça e verdade, esta é a única linha de ação possível.

Obrigado pela vossa atenção.

Com os melhores cumprimentos,

David Edwards

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