SOLIDARIEDADE


2020 08 10 adriano gambarini campanha sos xavante

 

A Covid-19 chegou forte em grande parte das aldeias Xavante, no estado do Mato Grosso. Esse povo que, pela pujança de sua cultura, conseguiu resistir a 80 anos de contato com a sociedade nacional, encontra-se agora indefeso ante a chegada do coronavírus. A cada dia, mais vidas Xavante estão sendo perdidas para a Covid-19. Nós, brasileiros e brasileiras, devemos muito ao Povo Xavante e a todos os povos originários do Brasil. Agora é hora de pagar um pouco dessa dívida. Participe da Campanha A'uwe Tsari - S.O.S. Xavante - acesse o link para doar: https://www.captar.info/campanha/sosxavante/. A CNTE se soma a essa campanha e convida todos e todas para contribuírem nessa causa.

O objetivo da campanha é captar R$ 250 mil reais para que uma Unidade Avançada de Saúde possa ser instalada próxima às aldeias Xavante. Parte dos recursos serão utilizados em ações de prevenção do contágio e de segurança alimentar, para que as famílias possam manter o distanciamento social sem precisar sair de suas comunidades.

A COVID-19 E O POVO XAVANTE
Um retalório técnico sobre a situação da covid entre os Xavante foi divulgado pela Opan resume a situção da Covid-19 entre o povo Xavante: No dia 11 de maio, morreu uma criança Xavante, da Terra Indígena Marãiwatsédé, localizada no município de Alto Boa Vista (MT). O bebê de apenas oito meses foi a vítima mais nova do coronavírus no estado e o primeiro óbito entre indígenas em Mato Grosso, de acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.

Segundo o relatório, uma sucessão de fatores combinados agrava a exposição do povo Xavante ao novo coronavírus, como a precária estrutura básica de atendimento à saúde, aspectos de sua organização sociocultural, seu perfil epidemiológico e as pressões no entorno de seus territórios. De acordo com dados do Distrito Sanitário de Saúde Indígena (DSEI) Xavante, apenas 8,5% das aldeias contam com uma Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI). Isso significa que, em boa parte do tempo, cerca de 91,5% dos indígenas ficam descobertos de medidas de vigilância à saúde, o que prejudica a detecção precoce dos casos suspeitos do novo coronavírus.

Cada pólo base de saúde indígena que atende os Xavante é responsável por 3.572 pessoas, o que representa a maior relação entre os distritos do estado. No DSEI Xingu, que ocupa a segunda posição neste ranking, cada pólo atende a 2 mil indivíduos. Com relação à disponibilidade de Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai), a situação é ainda mais dramática: são 10.716 indígenas para cada uma delas no DSEI Xavante, quase cinco vezes mais que o segundo colocado, o DSEI Cuiabá, com 2.167 pessoas por Casai.

Além de uma alta proporção de indígenas que apresentam comorbidades para Covid-19, como diabetes e hipertensão, a fragilidade do povo Xavante torna-se maior devido ao modo como se organizam as aldeias, com casas muito próximas umas das outras, somada à quantidade elevada de pessoas por habitação, o que pode facilitar a propagação do coronavírus.

Os funerais tradicionais também são, conforme aponta o estudo, um aspecto sensível da cultura Xavante no contexto de pandemia, que deve ser levado em consideração na construção de estratégias de conscientização e prevenção ao coronavírus.

De acordo com dados do Comitê Nacional Pela Vida e Memória Indígena, formado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), já foram contabilizados 2.523 casos de infecção e 240 mortes entre indígenas, e 93 povos já foram atingidos pela doença até o dia 07 de junho. Oficialmente, a Sesai considera 1965 casos confirmados e 79 óbitos até 06 de junho.

(Com informações do Instituto Socioambiental e da campanha SOS Xavante - foto de Adriano Gambarini/OPAN)