FORMAÇÃO NA PRÁTICA

2023 01 10 jorge andre pref marica
Foto: Jorge André/Prefeitura de Maricá

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou que vai investir mais no fortalecimento das hortas comunitárias nas escolas e contribuir com a formação dos/as alunos/as através da Embrapa Meio Ambiente, uma Unidade de Pesquisa de Tema Básico vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo o analista da Embrapa, Waldemore Moricone, responsável pelas ações relacionadas às hortas comunitárias e em pequenos espaços, a unidade de pesquisa, através do seu programa Embrapa & Escola, incluiu o preparo de hortas comunitárias nas escolas brasileiras entre os temas de estudo.

Para o analista, a participação comunitária vai depender do envolvimento de pais de alunos, professores, alunos e funcionários da escola. Isso é possível porque a horta na escola propicia para os alunos a oportunidade de acompanhar o crescimento das hortaliças do plantio à colheita, e poderão ser consumidas na merenda escolar.

“Não é intenção do projeto fazer grandes hortas com grande produção para abastecer as escolas ou mesmo a comunidade do entorno, o projeto visa ter atividade extra classe que contribua para a formação escolar dos alunos com atividades práticas e lúdicas que tragam experiências reais de aplicação do conhecimento adquirido em sala de aula. Muitas vezes um único canteiro ou mesmo o cultivo em alguns vasos com hortaliças podem propiciar esta experiência. Contudo, a produção excedente pode ser sim usada na alimentação escolar”, explica Waldemore.

A secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG), Edjane Rodrigues, disse que de fato essas iniciativas aproximam de fato de uma educação contextualizada que dialogue com a realidade do campo, que oferte uma educação onde os/as alunos/as de fato se reconheçam e valorizem a produção e ainda preserve o meio ambiente.

“Essas iniciativas ainda valorizam a agricultura familiar como produtora de alimentos saudáveis e a população passa a compreender a importância da preservação ambiental, sobretudo de adotar práticas sustentáveis. E ainda contribuem com a qualidade de vida dos estudantes já que permitem uma merenda mais saudável e com a economia da escola”, afirma Edjane.

“As hortas estimulam o desenvolvimento de diversas habilidades que são essenciais para a formação e o protagonismo do estudante, permitindo que o aluno reconheça sua importância na construção de mudanças na realidade social. A horta é um espaço de extensão escolar, visto que os alunos também vivenciam na prática o que aprendem na sala de aula”, completa a secretária da CONTAG.

Inicialmente o projeto começa a ser executado nas escolas mais próximas da Embrapa Meio Ambiente e segue consolidando as ações do projeto em outras cidades. Os organizadores pretendem disponibilizar os materiais de orientação para escolas de outros municípios que também estejam interessados em iniciar as ações. As escolas podem ser tanto das áreas urbanas quanto nas rurais, desde que tenham bom sinal de Internet para comunicação.

Sobre a nova etapa

O projeto Embrapa Escola sempre trabalhou com hortas pedagógicas durante a sua existência, a partir de 1997. Porém as hortas e seus experimentos estavam instalados na sede da Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna, onde os alunos as visitavam e no retorno à escola realizavam os trabalhos. As atividades práticas nas hortas sempre atraíram muito os alunos.

Agora a ideia é sair da Embrapa e ampliar por todo Brasil e preparar hortas comunitárias pelas escolas. A nova etapa, segundo o analista da Embrapa, é orientar a execução das hortas e o projeto pedagógico para as escolas remotamente, por reuniões, vídeos, comunicação direta por celular, levando em conta as disciplinas e matérias que os professores vão desenvolver nas atividades práticas da horta.

“É preciso envolver o maior número de professores e disciplinas nas atividades da horta. A visita à escola pode ser necessária, mas no dia a dia o projeto pode contar com nossa ajuda remota. Também, para sermos mais efetivos e com criatividade possamos ampliar o projeto, as hortas implantadas em uma escola vão servir de unidades de referência para ampliação do programa”, destaca Waldemore.

Ajuda de parceiros/as

Segundo o analista da Embrapa, a ideia é implantar hortas mais diversificadas com plantas consorciadas e que possam despertar criatividade nos alunos. E que a composição das hortaliças, condimentos e medicinais vai depender do planejamento e disposição da escola em diversificar o cultivo da horta.

“No geral são poucos recursos que serão necessários, como por exemplo, composto orgânico pronto, alguns fertilizantes naturais permitidos para o cultivo orgânico, sementes ou mudas, sistema de irrigação de gotejo de baixo custo, mudas e algumas ferramentas para os trabalhos manuais”.

Ele também destaca que podem ser adotadas plantas alimentícias, não convencionais, desde de que se consiga envolver profissionais da nutrição responsáveis pela área da alimentação escolar no projeto. Sobre os recursos, Waldemore disse que precisam vir das próprias escolas ou de parceiros que possam contribuir com o projeto. 

Agendamentos

Desde a criação do Embrapa & Escola, o programa já recebeu mais de 40 mil visitas programadas. Acesse o link para saber mais: https://www.embrapa.br/en/meio-ambiente/responsabilidade-socioambiental. O Embrapa & Escola faz parte do Embrapa Meio Ambiente, unidade de pesquisa da empresa pública ligada ao Ministério da Agricultura.