FORMAÇÃO

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Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estão em San José, capital da Costa Rica, para o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação, organizado pela Internacional da Educação para a América Latina (IEAL). 

De 23 a 26 de julho de 2023, pelo menos 100 professores - em sua maioria, mulheres - de 18 organizações filiadas à IEAL se reúnem para compartilhar a situação dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero em seus países, além de analisar os cenários políticos. 

A secretária-geral da CNTE e vice-presidente do Comitê Regional do IEAL, Fátima Silva, é uma das moderadoras do evento, ao lado da Secretária Geral da Confederação dos Trabalhadores em Educação da República Argentina (CTERA), Sonia Alesso, e da coordenadora do Escritório Regional da IEAL, Gabriela Sancho. 

"Cada uma de nós teve que romper muitas barreiras para estar aqui, inclusive desafiando nossas próprias estruturas. Em nossos sindicatos, somos aquelas que sustentam a organização nos bastidores, mas também precisamos estar nos espaços de decisão da política educacional”, afirmou Fátima sem seu pronunciamento. 

Já Gabriela disse estar emocionada ao constatar o crescimento e o fortalecimento da rede de mulheres. "Vemos a Rede de Trabalhadoras da Educação como uma estratégia político-organizativa das organizações sindicais e, por isso, os temas que abordamos nesses espaços não são escolhidos ao acaso”, declarou. 

Berenice D’arc, secretária de Relações de Gênero da CNTE, apresentou o painel "Conjuntura Política e o Papel das Mulheres no Brasil” e falou da renovação da esperança que a eleição de Lula trouxe às mulheres brasileiras e latino-americanas. 

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Como exemplo de ações implementadas, citou a recriação do Ministério das Mulheres, a retomada para ratificação da Convenção 190 (sobre violência e assédio no trabalho) da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a sanção da Lei 14.611, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres.  

“Os países da América Latina compartilham problemas e desafios muito semelhantes. Daí a importância de trocarmos experiências com mulheres de outras nações para saber o que cada representante faz em seu país para vencer o machismo, o patriarcado e a violência”, relata Berenice, que explica o papel que a Rede tem para a formação das mulheres, em diferentes níveis de aprendizado. 

“O encontro possibilita a formação das mulheres para o processo de transformação pedagógica que ela leva para as escolas e para o seu processo de emancipação enquanto mulher”, afirma. 

Para a secretária de Finanças da CNTE, Rosilene Corrêa, o evento potencializa a atuação conjunta da classe trabalhadora feminina. "O avanço da direita e de uma política neoliberal tem ganhado força na América Latina, o que é preocupante. Por isso, o momento exige de nós uma atuação igualmente forte contra tudo isso", explica. "Nós, mulheres, sofremos as maiores consequências e daí a necessidade de fazer uma pausa que nos coloca no centro do debate", sustenta Rosilene. 

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Observatório e workshops

No primeiro dia do encontro, a oficial de gênero da OIT para a América Central, Panamá, República Dominicana e Haiti, Larraitz Lexartza, fez uma apresentação  sobre a Convenção 190 da OIT. A ratificação desse convênio é promovida pela IEAL por meio de uma campanha. 

Já no segundo dia, a Rede lançou o Observatório de Igualdade de Gênero “Sumemos Igualdad” (Adicionemos Igualdade), página na internet cujo objetivo é dar visibilidade às informações sobre as condições do trabalho das profissionais da educação da América Latina. O observatório está dividido em três temas: igualdade de gênero no mundo do trabalho, avanços e retrocessos nos direitos trabalhistas e direitos das mulheres no trabalho educacional. 

"Com isso, avançamos para a igualdade de gênero, relatando a participação e liderança das mulheres nos sindicatos de educação, destacando seu trabalho na educação, vida familiar e organização política”, explica a Rede, em mensagem no site.

Foram promovidos, ainda, dois workshops: 1) ”A opinião pública também é nossa: comunicação para mulheres sindicalistas” e 2) "Tocar, dançar e cantar na perspectiva sindicalista”. 

O primeiro forneceu aos participantes ferramentas básicas de comunicação para professores posicionarem seus problemas e agendas dentro e fora das organizações e gerar reflexões; e o segundo mostrou o potencial da música em espaços de protesto social. 

Para o último dia do evento está prevista uma exposição relacionada com a campanha da IE “¡Por la Pública! Escola Criamos” , que se opõe à privatização da educação e ao comércio educacional e busca reivindicar maior financiamento do Estado para a educação pública, pelo Observatório Latino-Americano de Políticas Educacionais (OLPE).

Antes do encerramento da atividade, o Escritório Regional fará o lançamento oficial do volume 9 da Revista RED, que este ano trata da sobrecarga de tarefas da mulher e aos desafios da conciliação de trabalho e vida familiar. 

Sobre a Rede de Trabalhadoras da Educação

A Rede Trabalhadoras da Educação é uma estrutura de trabalho conjunto formada pelo Comitê Regional do IEAL desde 2005 para o  fortalecimento dos sindicatos por meio da implementação de políticas sindicais que promovam a participação e militância das professoras. A iniciativa se sustenta no fato de que as organizações sindicais da educação são constituídas por, pelo menos, 70% de mulheres.

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Com informações do site da Internacional da Educação para a América Latina