MUNDO DO TRABALHO

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Em celebração ao mês dos trabalhador/a, a secretária de Finanças da CNTE, Rosilene Corrêa, participou, nesta segunda-feira (6), do evento Diálogos de Justiça e Paz, em uma conversa sobre o mundo do trabalho. 

Com o tema “Somos nós, e não as máquinas, o verdadeiro valor do trabalho”, a atividade abordou questões sobre o futuro do trabalho diante dos desafios provocados pelas inovações tecnológicas.

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Segundo explicou a juíza do Trabalho, Gabriela Lenz de Lacerda, a justiça do trabalho surgiu no início do século passado, com o propósito de ser um espaço garantidor dos direitos sociais assegurados pela Constituição Federal de 1988. Nascida através do processo de luta contra o trabalho alienado, conquistou, inicialmente, os direitos mínimos para regulação de trabalho de corpos mais frágeis, como crianças e mulheres.

"Os direitos conquistados durante o período em que as disputas de hegemonia eram muito mais agudas foram se esgarçando. Nas últimas décadas, com a ascensão do neoliberalismo, tivemos cada vez mais a precarização desses direitos, sofrendo perdas com as diferentes formas de flexibilização, como com o trabalho não regulamentado, promovidos pelas plataformas, por exemplo", relatou a juíza.

Segundo Rosilene, assim como no mundo do trabalho feito por pessoas, por trás das grandes máquinas e Inteligências Artificiais (IA), homens brancos e ricos são, em maioria, quem comandam o setor, caracterizando o que avaliou como “colonização digital”, influenciando a precarização do trabalho.

“Muitos de nós somos de uma geração em que essa tecnologia ainda é muito desconhecida, mas ela já chegou, e é algo que vai impactar diretamente no mundo do trabalho… Somos rendidos a isso e o capitalismo tem um grande domínio sobre esse processo. Estamos vendo as pessoas sendo induzidas a abrir mão de não terem uma cobertura dos seus direitos… há uma falta de compreensão do que está posto para nós”, apontou.

“Há um grande domínio por trás disso. É uma enganação dizer que as máquinas possuem condições e estão fazendo o nosso trabalho por nós. Ficamos convencidos de que isso vem para melhorar a humanidade, tornando as nossas vidas mais rápidas e fáceis, porém, essa rapidez acaba nos fazendo acumular tarefas, já que passamos a ter que resolver muito mais coisas”, completou.

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Tecnologia utilizada como ameaça à educação

De acordo com ela, ainda no início das discussões sobre quais profissões seriam afetadas pela Inteligência Artificial, acreditava-se que professores, juízes, médicos, entre outras, não poderiam ser substituídos. Entretanto, no Brasil, quando o governo de São Paulo anunciou a utilização de ferramentas de IA na produção de livros didáticos, ele demonstrou que a educação também tem sido um alvo.

“Nós, da educação, quando nos colocamos contra o novo ensino médio e pedimos a sua revogação, estamos nos colocando contra abrir as portas da educação pública para plataformas de ensino à distância que não possuem nenhum controle de qualidade e que trazem a mercantilização para o ensino. Quem está por trás são grandes empresas, que utilizam de meios tecnológicos apenas com intenção de lucrar”, reiterou Rosilene.

Rosilene ainda destaca o desafio em contornar a situação de conformidade que esse novo mundo de trabalho e inversão de papéis, onde as pessoas estão a serviço das máquinas. “A inteligência artificial não pode ser algo que vai nos abstrair de nossas capacidades e nos tornar menos inteligentes... Nós, trabalhadores, queremos, sim, ter um equipamento que nos proporcione mais segurança para trabalhar e nos ajude a oferecer um serviço melhor, mas isso não significa que nós podemos ser substituídos”, finalizou.

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Em todas as primeiras segundas-feiras de cada mês, das 19h às 21h, o evento reúne especialistas e o público para refletir sobre ações práticas voltadas para a construção de linhas de pensamento crítico para uma sociedade mais justa, pacífica e sustentável. 

A iniciativa é coordenada pela Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP_DF), pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), pelo Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (Olma) e pelo Centro Cultural de Brasília (CCB).